Quinta Set 09

Qual o limite que criamos para nós mesmo?

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Como você age diante de desafios ou dificuldades? Você acredita que tem o poder de mudar a sua realidade ou que é um passageiro da vida e vítima do destino? Você é uma pessoa resiliente?  

Entrevista com Eduardo Carmello*

por César Gnan

Calma... ser resiliente é um boa característica. Uma vantagem competitiva que pode ser muito, mas muito útil na sua vida pessoal e nos negócios. Você não é resiliente? Tudo bem... é possível incorporar essa característica ao seu comportamento.Mas como? É difícil? O que isso melhora? Aliás, o que é mesmo essa tal Resiliência?

Em entrevista ao Mundo8, Eduardo Carmello responde todas essas questões e te dá as dicas de como utilizar esse comportamento a seu favor na hora de empreender. 

Primeiro: qual a definição de Resiliência?

Eduardo Carmello: a etmologia da palavra Resiliência vem do latim, resílio ou resilié. Significa “saltar novamente”, "voltar ao estado natural". O Conceito de Resiliência ganhou proporções maiores no campo da Educação, Sociologia, Física, Psicologia, Medicina e agora na Administração. Utilizam-se do termo para definir a capacidade que um sistema tem de adaptar-se e sobrepor-se diante de adversidades, embates e traumas, com o máximo de inteligência, saúde e competência possível.Atualmente o conceito ganha maturidade e expansão, sendo utilizado também em Gestão, para designar a capacidade de uma empresa, líder ou profissional em promover as transformações necessárias para alcançar seu objetivo ou propósito maior. 

Como o conhecimento desse comportamento ajuda no desenvolvimento pessoal e profissional?

Eduardo Carmello: Os estudos de Resiliência demonstraram que, diante de uma mudança, turbulência ou instabilidade, cerca de 80% dos profissionais tem suas competências diminuídas ou desaparecidas. As empresas apreciam os profissionais considerados resilientes, pois os mesmos conseguem manter competência, inteligência e saúde diante de circunstâncias desafiadoras e complexas. Martin Luther King dizia que “a verdadeira medida de um homem não é como ele se comporta em momentos de conforto e conveniência, mas como ele se mantém em tempos de controvérsia e desafio”. 

Você considera o micro e pequeno empresário brasileiro um ser resiliente?

Eduardo Carmello: Um ser resiliente é aquele que se antecipa, gerencia, entrega resultados e transmite confiança aos seus clientes, mesmo em situações de turbulência e adversidade. Podemos considerar o micro e pequeno empresário brasileiro um ser resiliente. Afinal, mesmo com toda a sobrecarga de impostos e a dificuldade de competir com os grandes, ele se insere como um agente empreendedor e conquista seu propósito e espaço. Minha questão atual é: muitos ainda trabalham no padrão "espera acontecer algo ruim para fazer uma mudança/inovação". Somos ainda considerados empreendedores por necessidade, não por oportunidade. Trabalho no fortalecimento da qualidade da Gestão com uma Resiliência que se antecipa aos sinais de oportunidade e promove uma melhoria ou inovação, antes que as circunstâncias façam o empresário mudar. 

Quais são as características de um comportamento resiliente na gestão de uma empresa?

Eduardo Carmello: São 3 os fatores críticos de sucesso num comportamento resiliente: 

                                Sensibilidade em detectar sinais de oportunidade 

Entrou novos negócios ou produtos na cidade? Mudou uma lei? O comportamento dos consumidores mudará novamente nos próximos 5 anos? Como que isso pode ser benéfico para os nossos negócios? Como podemos construir valor a partir dessas mudanças? O que podemos oferecer de útil, funcional, relevante? 

                                   Alta congruência em seu modelo de gestão  

Ter qualidade em gestão é fundamental. Você pode dizer que em cada ato de seus empregados há o conhecimento estratégico e o valor da sua marca? Você realmente entrega o que promete com qualidade e prazo? Seus clientes e funcionários podem realmente dizer isso de sua empresa? 

                  Capacitação e aptidão para promover ajustes estratégicos e construir valor  

Quanto mais orientado pela realidade dos números e pela motivação em elevar o desempenho da empresa, maior a possibilidade de acompanhar as mudanças e fazer os ajustes de desempenho necessários para se manter competitivo. 

É possível desenvolver esses fatores?

Eduardo Carmello: Sim. Primeiro, a partir de análise consistente sobre a discrepância entre o desempenho real e o desejado. Segundo, sobre a decisão de querer aprender e mudar para melhor o nível de competitividade da empresa. Feito isso, pode-se discutir a melhor forma de se fazer. Por meio de treinamento, coaching etc. 

Como fazer uma autoanálise para identificar características de Resiliência?

Eduardo Carmello: Diante de uma situação desafiadora ou turbulenta, observe os seguintes comportamentos:  

Sua percepção é positiva diante das situações desafiadoras?

Você mantém a calma e tranquilidade para conversar, analisar e explicar os acontecimentos e desafios?

Sua atitude é proativa em relação às mudanças?

Há presença de foco e determinação naquilo que é imediatamente relevante para a conquista do objetivo?

Sua flexibilidade e busca por alternativas diante do embate é alta?

Há manifestação de organização e planejamento, demonstrando clareza das atividades que precisam ser feitas para conquistar o seu propósito? 

Existe um roteiro de atitudes resilientes que uma pessoa deve colocar em prática em um momento de crise?

Eduardo Carmello: Existe um conjunto de atitudes que podem lhe ajudar a lidar melhor e superar-se diante de uma crise. 

Protagonistas: incluem-se na situação, se posicionam como peça-chave para o alcance de seus resultados;

Criativos: capacidade da pessoa para transformar e construir ideias, objetos e ações em algo diferente e inovador, buscando novos padrões de solução e crescimento. Gostam e aceitam mudanças. Abertos à reflexões e experiências, interessados em diversidade e inovações;

Autoestima: é a capacidade que a pessoa tem de respeitar, valorizar e amar a si mesma;

Autoeficácia: crença na capacidade de organizar e realizar uma sequência de ações para produzir um resultado desejado;

Senso de Humor: é a capacidade da pessoa expressar verbal e corporalmente elementos incongruentes e hilariantes com efeito tranquilizador e prazeroso para si e para os outros, sem jocosidade ou desprezo;

Emocionalmente inteligente: é a capacidade de sentir, entender e aplicar eficazmente o poder e a perspicácia de nossas emoções como uma fonte de energia, informação, conexão e influências humanas. 

Ser resiliente é ser competitivo?

Eduardo Carmello: Sim. Pois o torna um indivíduo com altas condições para disputar uma "fatia do bolo" no mercado brasileiro. 

Não ser resiliente é o fim para os negócios?

Eduardo Carmello: Não. Seria exagero idealista dizer isso. Existem várias empresas que sobrevivem muito bem sem gestão, pois estão sentados numa mina de ouro ou petróleo. Não precisam se esforçar para melhorar. Entregam bem ou mau um produto ou serviço e, mesmo assim, o dinheiro entra.Se não é o seu caso, se você depende da qualidade da entrega do seu serviço ou das regras severas do mercado, diria que vale a pena conhecer o livro "Resiliência: a transformação como ferramenta para construir empresas de valor". Ele ajuda a entender como valorizar sua empresa e torná-la competitiva. 

O cliente é afetado positivamente quando a empresa é gerida por uma pessoa com características resilientes?

Eduardo Carmello: Sim. Pode-se dizer que é o passaporte para um novo nível de qualidade. A Resiliência, assim como o BSC (Balanced Scorecard), Seis Sigma, Lean ou Sistema da Qualidade Total, contém o DNA da excelência. Se bem aplicada pode fazer a verdadeira diferença para a empresa. 

Você definiria um modelo de sucesso para o empreendedor?

Eduardo Carmello: Acredito que ser empreendedor é extremamente desafiador, mas dois exageros acontecem no momento da decisão de se abrir um negócio:Ou a pessoa define um segmento de negócio por considerá-lo interessante financeiramente, desconsiderando totalmente a sua vocação e talento, ou ao contrário. A pessoa visa apenas sua vocação e se esquece de analisar as exigências de mercado e avaliar suas competências administrativas.Uma possibilidade maior de sucesso está na combinação perfeita entre “talento + competência empreendedora + competência de negócios + competência de gestão + desejo de compra = sucesso sustentável”. 

* Eduardo Carmello é diretor da Entheusiasmos Consultoria em Talentos Humanos;  Consultor Organizacional e Educacional especialista na área de Gestão Estratégica de Pessoas, trabalhando dentro do modelo de Competências com foco em Desempenho; Conferencista Nacional e Internacional; Coach certificado pelo ICC – International Community Coaching (Lambent do Brasil); Docente dos cursos de Pós-Graduação (MBA em Recursos Humanos) da Cesumar (PR) e ICPG/ABRH (SC); Master Practitioner e Trainer em Programação Neurolinguística; Autor do livro "Resiliência: a transformação como ferramenta para construir empresas de valor“ (Editora Gente 2008), "Supere: a arte de lidar com as adversidades” (Gente - 2004) e “O Poder da Informação Intuitiva” (Editora Gente – 2000);  Parceiro da ABRH - Associação Brasileira de Recursos Humanos e ABTD - Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento.

 

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