Quinta Set 09

Fuscas, muitos fuscas.

Para a maioria das pessoas existe um grande abismo entre fazer o que se gosta e fazer o que é preciso. Será? E quem disse que a arte não pode ser comercial e revelar o lado empreendedor de uma pessoa? Aliás, ser empreendedor também é ser um artista.

Entrevista com o artista plástico Reynaldo Berto

por César Gnan

 

Talvez a experiência de Reynaldo Berto não exemplifique exatamente a personalidade de um empreendedor.  Filho único de empresário, viu a empresa da família “cair no colo” com o falecimento prematuro de seu pai. Com o passar do tempo uma certeza: vida de um executivo clássico não era com ele. Nem por isso deixou de pensar em fazer negócios, expandir clientes e propagar o que ele tinha de melhor. A arte! Talvez ele seja uma boa referência para mostrar o que realmente faz empreendimentos darem certo. Ousadia, persistência, paixão e foco.

 

 

 

 

Tudo tem um começo 

Reynaldo Berto - Sempre me vi desenhando, pintando... Quando moleque, imaginava meu ambiente de trabalho com canetas, pincéis, papéis e guache. Sempre quis viver fazendo isso. Ganhar dinheiro com a arte. Mas até conseguir foi um longo caminho.

 

Empresário 

Reynaldo Berto - Meu pai tinha uma distribuidora de remédios. A empresa era muito bem sucedida e, sem perceber, acabei me acostumando com ela. Vivia sempre lá. Desde os meus 16 anos eu sabia o que era a empresa. Quando eu tinha 24 anos meu pai faleceu e eu fiquei à frente da distribuidora. Fiz bons negócios. Fui um bom vendedor. Ganhava meu dinheiro, mas não estava bem.

Ruptura

Reynaldo Berto - Depois de cinco anos administrando a empresa da família eu decidi: aquilo não era para mim. Gostava da minha arte. Daí partiu a iniciativa de vender a empresa. Dei a parte que cabia à minha mãe, que por sinal, sempre me apoiou, e fui buscar meu espaço. Mas não era fácil. Eu precisava de uma renda fixa e fui trabalhar como vendedor da Xerox do Brasil. Me sai bem. Até prêmio ganhei da empresa. Mais uma vez a vertente de negociante se destacou, mas o dom de artista ainda falava mais alto.

Passional

Reynaldo Berto - Talvez, como característica de artista, eu carregue um lado muito passional. Amo São Paulo, sua poluição, seu trânsito e o fusca. Tanto é que minha obra tem todos esses elementos num ambiente muito colorido. E esse lado passional também me levou a um marco importante na vida. Ao me separar de minha companheira com quem vivia, passei por um momento difícil de aceitação. Perdi carro, fiquei sem dinheiro e cheguei a uma conclusão: agora era a hora. Nada mais me impedia de me entregar ao que realmente eu queria fazer.

Uma bicicleta

Reynaldo Berto - Com uma bicicleta e a renda de R$ 250,00, vinda do aluguel de um imóvel da família, eu resolvi recomeçar. Montei um portifólio e com meu feeling de vendedor fui vender meu trabalho. Negociava quadros e vasos no Mercado Mundo Mix, uma feira no bairro da Barra Funda, em São Paulo. Para compensar tudo que perdi praticava esporte. Meu padrão de vida caiu, mas sabia que o momento era aquele e que não dava para ser diferente. Virei um “Tio Patinhas”. Sempre fui consumista, mas aprendi a guardar. Minha relação com o dinheiro mudou.

Um golpe de sorte. Sorte?

Reynaldo Berto - Decidi que precisava dar uma guinada. Foi quando, passando em frente a um buffet infantil, em Moema, tive uma idéia. Por que não vender a minha arte em uma festa infantil. Decidi entrar e, por sorte, fui atendido pela própria dona. Propus fazer o seguinte: enquanto rolava a festa eu fazia um quadro com as crianças e, ao final, a aniversariante levava o trabalho como lembrança. A mulher adorou e me contratou. Aquilo, além de me dar uma grana boa, levantou a minha auto-estima. Era o começo da minha felicidade. Sentia que a fase ruim tinha chegado ao fim. Em paralelo levava meu trabalho às agências de publicidade. Foi quando a Volkswagen me convidou a pintar uma Kombi em pleno Salão do Automóvel. Daí para frente as empresas começaram a me procurar.

 

Característica

Reynaldo Berto - Meu trabalho sempre é a cidade de São Paulo, o trânsito, o Fusca e muito colorido. Sou um apaixonado por essa mistura e, apesar da semelhança dos temas, nunca fiz duas obras iguais. Meus maiores clientes são empresas. Sou o único brasileiro que cria relógios para a Swatch tendo, inclusive, um modelo entre os mais vendidos da marca.

 

Acredito que tenha muita gente que faz o que não gosta. Digo que o ponto principal na vida é fazer o que se gosta. Ao mesmo tempo, não é fácil. Tive depressão, passei por necessidades, tive muita insegurança. Mas também coloquei um prazo para as coisas darem certo. Se em cinco anos não conseguisse meus objetivos, eu voltaria a ser vendedor. Mas nesse período eu me dediquei e me entreguei. Comecei a sair da fase ruim em três anos.

 

Dualidade

 

Reynaldo Berto - Apesar de ter determinado um período para as coisas acontecerem nunca fiz um bom planejamento. Venci pela minha garra, mas é inegável dizer que tive estrutura familiar para chegar onde estou. Ao mesmo tempo sou exemplo e exceção. Exemplo por ter lutado, e exceção pelas condições que tive para conquistar meus objetivos. Perto do que eu fui acredito que a arte me proporcionou muita coisa boa. Certamente muito mais do que se eu continuasse a viver como dono de uma distribuidora de remédios. Minha arte me fez conhecer todo o Brasil e, tenho certeza, me levará a muitos outros lugares. Eu me vejo indo além. Meu próximo objetivo é expor na Alemanha. Já me vejo lá. Vamos transpor fronteiras. Acho que essa coisa de sempre querer ir além me caracteriza como um empreendedor.

Comentários  

 
0 #5 Eloisa 18/07/2010 22:59
Nossa,eu gostei muito dos trabalhos feitos!
Eu dar os Parabéns as pessoas que usaram a sua criatividade para fazerem esses trabalhos inéditos.
Parabéns!!!
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+1 #4 29/05/2010 21:23
o seu trabalho é o maximo quem sabe quando eu crescer eu seja uma artista plastica
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0 #3 29/05/2010 21:15
eu adorei a cadeira do fusca tanto q eu até fiz um cartaz sobre isso já q vc vai na minha escola segunda eu estou pesquisando sobre vc .Isso vai ser LEGAL e vai tirar um pouco do nosso tempo para estudar sobre o assunto
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0 #2 27/05/2010 14:54
[quote name="Claudete Ap Ferriera"]:lol: Parabéns por essa materia uma Entrevista Maravilhosa,
Sou professora de Labooratório de Informatica com essa reportangem e outra sobre o Artista Plático Reynaldo Berto foi o ponto inicial de meu trabalho com os alunos aqui na EMEB "DR. JOSÉ FERRAZ DE MAGALHÃES (SBC), pois é muito prazeroso falar e mostrar obras de um pessoal que acredito na "vida é fazer o que se gosta", mas com a certeza de continuar de for o certo para seu futuro.

Obrigada PAPE Claudete
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+2 #1 27/05/2010 14:51
Parabéns por essa materia uma Entrevista Maravilhosa,
Sou professora de Labooratório de Informatica com essa reportangem e outra sobre o Artista Plático Reynaldo Berto foi o ponto inicial de meu trabalho com os alunos aqui na EMEB "DR. JOSÉ FERRAZ DE MAGALHÃES (SBC), pois é muito prazeroso falar e mostrar obras de um pessoal que acredito na "vida é fazer o que se gosta", mas com a certeza de continuar de for o certo para seu futuro.

Obrigada PAPE Claudete
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