Fuscas, muitos fuscas.
Para a maioria das pessoas existe um grande abismo entre fazer o que se gosta e fazer o que é preciso. Será? E quem disse que a arte não pode ser comercial e revelar o lado empreendedor de uma pessoa? Aliás, ser empreendedor também é ser um artista.
Entrevista com o artista plástico Reynaldo Bertopor César Gnan
Talvez a experiência de Reynaldo Berto não exemplifique exatamente a personalidade de um empreendedor. Filho único de empresário, viu a empresa da família “cair no colo” com o falecimento prematuro de seu pai. Com o passar do tempo uma certeza: vida de um executivo clássico não era com ele. Nem por isso deixou de pensar em fazer negócios, expandir clientes e propagar o que ele tinha de melhor. A arte! Talvez ele seja uma boa referência para mostrar o que realmente faz empreendimentos darem certo. Ousadia, persistência, paixão e foco.
Tudo tem um começo Reynaldo Berto - Sempre me vi desenhando, pintando... Quando moleque, imaginava meu ambiente de trabalho com canetas, pincéis, papéis e guache. Sempre quis viver fazendo isso. Ganhar dinheiro com a arte. Mas até conseguir foi um longo caminho.
Empresário
Reynaldo Berto - Meu pai tinha uma distribuidora de remédios. A empresa era muito bem sucedida e, sem perceber, acabei me acostumando com ela. Vivia sempre lá. Desde os meus 16 anos eu sabia o que era a empresa. Quando eu tinha 24 anos meu pai faleceu e eu fiquei à frente da distribuidora. Fiz bons negócios. Fui um bom vendedor. Ganhava meu dinheiro, mas não estava bem.
Ruptura
Reynaldo Berto - Depois de cinco anos administrando a empresa da família eu decidi: aquilo não era para mim. Gostava da minha arte. Daí partiu a iniciativa de vender a empresa. Dei a parte que cabia à minha mãe, que por sinal, sempre me apoiou, e fui buscar meu espaço. Mas não era fácil. Eu precisava de uma renda fixa e fui trabalhar como vendedor da Xerox do Brasil. Me sai bem. Até prêmio ganhei da empresa. Mais uma vez a vertente de negociante se destacou, mas o dom de artista ainda falava mais alto.
Passional
Reynaldo Berto - Talvez, como característica de artista, eu carregue um lado muito passional. Amo São Paulo, sua poluição, seu trânsito e o fusca. Tanto é que minha obra tem todos esses elementos num ambiente muito colorido. E esse lado passional também me levou a um marco importante na vida. Ao me separar de minha companheira com quem vivia, passei por um momento difícil de aceitação. Perdi carro, fiquei sem dinheiro e cheguei a uma conclusão: agora era a hora. Nada mais me impedia de me entregar ao que realmente eu queria fazer.
Uma bicicleta
Reynaldo Berto - Com uma bicicleta e a renda de R$ 250,00, vinda do aluguel de um imóvel da família, eu resolvi recomeçar. Montei um portifólio e com meu feeling de vendedor fui vender meu trabalho. Negociava quadros e vasos no Mercado Mundo Mix, uma feira no bairro da Barra Funda, em São Paulo. Para compensar tudo que perdi praticava esporte. Meu padrão de vida caiu, mas sabia que o momento era aquele e que não dava para ser diferente. Virei um “Tio Patinhas”. Sempre fui consumista, mas aprendi a guardar. Minha relação com o dinheiro mudou.
Um golpe de sorte. Sorte?
Reynaldo Berto - Decidi que precisava dar uma guinada. Foi quando, passando em frente a um buffet infantil, em Moema, tive uma idéia. Por que não vender a minha arte em uma festa infantil. Decidi entrar e, por sorte, fui atendido pela própria dona. Propus fazer o seguinte: enquanto rolava a festa eu fazia um quadro com as crianças e, ao final, a aniversariante levava o trabalho como lembrança. A mulher adorou e me contratou. Aquilo, além de me dar uma grana boa, levantou a minha auto-estima. Era o começo da minha felicidade. Sentia que a fase ruim tinha chegado ao fim. Em paralelo levava meu trabalho às agências de publicidade. Foi quando a Volkswagen me convidou a pintar uma Kombi em pleno Salão do Automóvel. Daí para frente as empresas começaram a me procurar.
Característica
Reynaldo Berto - Meu trabalho sempre é a cidade de São Paulo, o trânsito, o Fusca e muito colorido. Sou um apaixonado por essa mistura e, apesar da semelhança dos temas, nunca fiz duas obras iguais. Meus maiores clientes são empresas. Sou o único brasileiro que cria relógios para a Swatch tendo, inclusive, um modelo entre os mais vendidos da marca.
Acredito que tenha muita gente que faz o que não gosta. Digo que o ponto principal na vida é fazer o que se gosta. Ao mesmo tempo, não é fácil. Tive depressão, passei por necessidades, tive muita insegurança. Mas também coloquei um prazo para as coisas darem certo. Se em cinco anos não conseguisse meus objetivos, eu voltaria a ser vendedor. Mas nesse período eu me dediquei e me entreguei. Comecei a sair da fase ruim em três anos.
Dualidade
Reynaldo Berto - Apesar de ter determinado um período para as coisas acontecerem nunca fiz um bom planejamento. Venci pela minha garra, mas é inegável dizer que tive estrutura familiar para chegar onde estou. Ao mesmo tempo sou exemplo e exceção. Exemplo por ter lutado, e exceção pelas condições que tive para conquistar meus objetivos. Perto do que eu fui acredito que a arte me proporcionou muita coisa boa. Certamente muito mais do que se eu continuasse a viver como dono de uma distribuidora de remédios. Minha arte me fez conhecer todo o Brasil e, tenho certeza, me levará a muitos outros lugares. Eu me vejo indo além. Meu próximo objetivo é expor na Alemanha. Já me vejo lá. Vamos transpor fronteiras. Acho que essa coisa de sempre querer ir além me caracteriza como um empreendedor.

Comentários
Eu dar os Parabéns as pessoas que usaram a sua criatividade para fazerem esses trabalhos inéditos.
Parabéns!!!
Sou professora de Labooratório de Informatica com essa reportangem e outra sobre o Artista Plático Reynaldo Berto foi o ponto inicial de meu trabalho com os alunos aqui na EMEB "DR. JOSÉ FERRAZ DE MAGALHÃES (SBC), pois é muito prazeroso falar e mostrar obras de um pessoal que acredito na "vida é fazer o que se gosta", mas com a certeza de continuar de for o certo para seu futuro.
Obrigada PAPE Claudete
Sou professora de Labooratório de Informatica com essa reportangem e outra sobre o Artista Plático Reynaldo Berto foi o ponto inicial de meu trabalho com os alunos aqui na EMEB "DR. JOSÉ FERRAZ DE MAGALHÃES (SBC), pois é muito prazeroso falar e mostrar obras de um pessoal que acredito na "vida é fazer o que se gosta", mas com a certeza de continuar de for o certo para seu futuro.
Obrigada PAPE Claudete
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